COP30 : 56 décisions historiques pour transformer les promesses en actions
Par sœur Ana Paula, du Brésil, participante à la COP 30
Le rapport de la COP30 du 17/03/2026 montre une avancée importante, mais souligne également que le plus grand défi consiste désormais à transformer les promesses en actions concrètes. Au total, 56 décisions consensuelles ont été adoptées — un fait significatif dans les négociations climatiques où les désaccords sont fréquents — couvrant des thèmes tels que la réduction des émissions (atténuation), l’adaptation aux impacts climatiques, le financement climatique, la technologie, ainsi que les pertes et dommages. Cet ensemble constitue un paquet relativement complet, qui ne se limite pas à la réduction des émissions, mais cherche aussi à faire face aux conséquences déjà inévitables de la crise climatique.
Le point central a été l’objectif de mobiliser 1 300 milliards de dollars par an d’ici 2035, dont au moins 300 milliards de dollars de ressources publiques, en plus de l’engagement de tripler le financement pour l’adaptation. Bien qu’ambitieux, cet objectif dépend fortement de facteurs tels que le respect des promesses par les pays riches, l’entrée effective des investissements privés et l’existence d’une gouvernance claire pour éviter des pratiques comme le « greenwashing ».
Le rapport présente également trois grandes « feuilles de route » qui servent de guides mondiaux pour l’action climatique :
1. La première traite de l’abandon progressif des combustibles fossiles, avec une transition jugée juste et ordonnée, incluant l’objectif de zéro déforestation d’ici 2030.
2. La deuxième se concentre sur l’inversion de la déforestation et de la dégradation des forêts, plaçant ces dernières au centre de la solution climatique et reliant climat, biodiversité et économie.
3. La troisième, connue sous le nom de Feuille de route « Bakou–Belém », se focalise sur le financement climatique et s’aligne sur l’Accord de Paris. Sans un financement adéquat, les deux autres auront du mal à voir le jour.
Dans ce contexte, le rôle moteur des forêts et du Brésil se distingue. Le pays a impulsé des initiatives basées sur le financement à long terme, combinant ressources publiques et privées, et adoptant des mécanismes de paiement par résultats, comme la réduction de la déforestation. Cette proposition bénéficie déjà du soutien de 52 pays et de l’Union européenne et, si elle réussit, pourrait devenir un modèle mondial de financement environnemental.
Une autre avancée majeure a été l’incorporation plus explicite de la justice climatique. La Déclaration de Belém sur la lutte contre le racisme environnemental reconnaît que les populations noires, indigènes et les plus pauvres sont affectées de manière disproportionnée par la crise climatique et affirme qu’il s’agit également d’une question de droits de l’homme. Par ailleurs, une seconde initiative, portant sur le lien entre climat, pauvreté et faim, a reçu l’adhésion de 44 pays ; elle souligne comment les impacts climatiques sont directement liés à l’insécurité alimentaire, aux crises sanitaires et aux inégalités. Ainsi, le débat climatique s’élargit, cessant d’être uniquement environnemental pour inclure des dimensions sociales et économiques.
Concernant les objectifs climatiques, 122 pays ont déjà présenté leurs NDC (contributions déterminées au niveau national), ce qui représente un progrès. Toutefois, la qualité de ces objectifs varie encore considérablement, et tous ne sont pas compatibles avec l’objectif de limiter le réchauffement climatique à 1,5°C.
Les prochaines étapes pointent vers la COP31, qui se tiendra à Antalya, en Turquie. D’ici là, l’accent sera mis sur la transformation des accords signés en politiques publiques concrètes, la garantie des financements promis et la mesure des résultats sur la base de nouveaux indicateurs mondiaux.
De manière générale, le bilan est mitigé. Parmi les points forts figurent un consensus international solide, des avancées — au moins sur le papier — en matière de financement, l’inclusion de la justice sociale dans l’agenda climatique et le rôle central des forêts. D’un autre côté, des risques importants subsistent : le financement pourrait ne pas se concrétiser, les objectifs pourraient rester insuffisants pour limiter le réchauffement à 1,5°C, et la mise en œuvre dépendra des politiques internes de chaque pays.
Source : https://www.google.com/search?q=agenciabrasil.ebc.com.br
Article original en brésilien :
O relatório da COP30 do dia 17/03/2026 mostra um avanço importante, mas também deixa claro que o maior desafio agora é transformar promessas em ação concreta. Ao todo, foram adotadas 56 decisões consensuais — algo significativo em negociações climáticas, onde desacordos são comuns — abrangendo temas como redução de emissões (mitigação), adaptação aos impactos climáticos, financiamento climático, tecnologia e perdas e danos. Esse conjunto indica um pacote relativamente completo, que não se limita a cortar emissões, mas também busca lidar com consequências já inevitáveis da crise climática.
O destaque central foi a meta de mobilizar US$ 1,3 trilhão por ano até 2035, sendo pelo menos US$ 300 bilhões em recursos públicos, além do compromisso de triplicar o financiamento para adaptação. Apesar de ambiciosa, essa meta depende fortemente de fatores como o cumprimento das promessas por parte dos países ricos, a entrada efetiva de investimento privado e a existência de uma governança clara que evite práticas como o “greenwashing”.
O relatório também apresenta três grandes “mapas do caminho”, que funcionam como guias globais para a ação climática. O primeiro trata do afastamento gradual dos combustíveis fósseis, com uma transição considerada justa e ordenada, incluindo a meta de zerar o desmatamento até 2030. O segundo foca na reversão do desmatamento e da degradação florestal, colocando as florestas no centro da solução climática e conectando clima, biodiversidade e economia. Já o terceiro, conhecido como Mapa “Baku–Belém”, tem como foco principal o financiamento climático e está alinhado ao Acordo de Paris. Sem financiamento adequado, os outros dois dificilmente sairão do papel.
Nesse contexto, destaca-se o protagonismo das florestas e do Brasil, que impulsionou iniciativas baseadas em financiamento de longo prazo, combinando recursos públicos e privados e adotando mecanismos de pagamento por resultados, como a redução do desmatamento. A proposta já conta com o apoio de 52 países e da União Europeia e, se for bem-sucedida, pode se tornar um modelo global de financiamento ambiental.
Outro avanço importante foi a incorporação mais explícita da justiça climática. A Declaração de Belém sobre o Combate ao Racismo Ambiental reconhece que populações negras, indígenas e mais pobres são desproporcionalmente afetadas pela crise climática e afirma que essa é também uma questão de direitos humanos. Além disso, uma segunda iniciativa, voltada à relação entre clima, pobreza e fome, contou com a adesão de 44 países e destaca como os impactos climáticos estão diretamente ligados à insegurança alimentar, às crises de saúde e à desigualdade. Com isso, o debate climático se amplia, deixando de ser apenas ambiental e passando a incluir dimensões sociais e econômicas.
Em relação às metas climáticas, 122 países já apresentaram suas NDCs (contribuições nacionalmente determinadas), o que representa um avanço. No entanto, a qualidade dessas metas ainda varia bastante, e nem todas são compatíveis com o objetivo de limitar o aquecimento global a 1,5°C.
Os próximos passos apontam para a COP31, que será realizada em Antalya, na Turquia. Até lá, o foco estará em transformar os acordos firmados em políticas públicas concretas, garantir o financiamento prometido e medir resultados com base em novos indicadores globais.
De forma geral, o balanço é misto. Entre os pontos fortes estão o forte consenso internacional, os avanços — ao menos no papel — em financiamento, a inclusão da justiça social na agenda climática e o papel central das florestas. Por outro lado, permanecem riscos importantes : o financiamento pode não se concretizar, as metas ainda podem ser insuficientes para limitar o aquecimento a 1,5°C, a implementação dependerá das políticas internas de cada país e a transição dos.