Província do Brasil : Escola de Formação Missionária – Prelazia são Félix do Araguaia

Published : 8 February

“A missão tem um centro, a missão tem um rosto”. (Papa Francisco)

Anima-nos em gratidão uma pequena partilha sobre o trabalho missionário da Comunidade Nossa Senhora de Guadalupe/Barreiro realizado entre os dias 17 a 31 de janeiro em Porto Alegre do Norte (MT), onde ocorreu a 6ª Etapa da Escola de Formação Missionária Pe. José Comblin.

Muitas de nós sabemos o exemplo do Padre José Comblin, que exerceu a sua missão pela América Latina e no mundo, impulsionado pelos apelos missionários da realidade dos pobres e das causas populares. Desse modelo de educação popular na década de 80, a escola de formação missionária é um espaço da atualidade, e traz o referencial desse ensinamento teológico e humano na leitura da vida à luz do Evangelho para a formação de lideranças populares, seja no campo religioso, eclesial, social e cultural.

Nós, mulheres pregadoras, educadoras por nosso carisma, recordamos o nosso ponto de partida nas palavras de abertura e testemunho de Adriano Ciocca Vasino que nos diz, “O sucesso de nossa missão não depende do meio que possuímos, mas da nossa fé e capacidade de viver. Coragem! Viver esses dias nos conhecendo uns aos outros”.

Para nós isso deixamos ecoar os caminhos da pedagogia, Fé e capacidade de viver! O anúncio autêntico é possibilidade de nada exibir/demonstrar, apenas exercício de ser e viver, falar e agir como enviadas de Jesus. Caminhar e descobrir o chão onde pisamos, compreender o ritmo e o calor humano que energiza o sentimento, a palavra e a transformação de um lugar e seus múltiplos apelos. “O discípulo missionário tem antes de tudo um centro de referência, que é a pessoa de Jesus, e seu estilo é, por assim dizer, um rosto, que consiste na pobreza” – (Papa Francisco). Dessa forma, nós experienciamos a nossa consagração/pregação pelo Reino de Deus nesses dias, juntando os nossos risos, medos, discipulado, acolhida, escuta e o nosso jeito de acreditar no centro de referência, que é a pessoa de Jesus, e seu estilo no rosto da missão.

O que fizemos nesse tempo? A escola de formação missionária de animadores de comunidades na Prelazia São Félix do Araguaia é realizada em etapas, com duração de 15 dias intensivos, em janeiro e julho de cada ano, com duração de 4 anos. Essa construção de saber se faz com participantes de todos os regionais que compreende a Prelazia de São Felix do Araguaia. Nessa 6ª etapa, estiveram presentes 40 participantes. Pessoas simples do campo ou da cidade, povos indígenas do Araguaia (grupo significativo de 15 pessoas da etnia XAVANTES – nada falavam em Português!), de idades variadas de 16 até 70 anos, homens, mulheres jovens e uma criança, filha de uma aluna. Pessoas de formação de alfabetizados até faculdade.
Foi um módulo com três temáticas distintas que se entrelaçaram em todo tempo: (1) Bíblia - 2º Testamento (Sandro Gallassi e Ivone Soave), (2) O Teatro do Oprimido (Andreia Weruska), e (3) Ministério da Coordenação e Princípios de Liderança (Irmãs Solange e Luciana). Em nossa parceria, Irmã Solange exerceu ainda a tarefa de acompanhar e interagir o grupo e as pessoas na orientação espiritual e psicológica. Vivenciamos a cada dia de trabalho a dimensão da fé que nos alimenta pelo Ofício Divino das Comunidades, despertando ao amanhecer e silenciando ao entardecer sempre nutridas pela oração-comunhão.

O nosso Sim se faz missão, e vai a cada dia nos enriquecendo como pertença ao Povo de Deus. A coragem é também desafio, e nem sempre temos resposta prontas. Todavia, somos marcadas por um projeto maior que nos leva ao encontro, e daí, nasce o diálogo e a esperança.

O Espírito urge! Na presença interna de tudo que somos e fazemos ... Ser “Igreja em Saída”, capaz de Re-criar dinamismos de ação e profecia, assinalar um belo horizonte, mergulhar na vida cotidiana dos outros, encurtar distâncias... atentas aos frutos porque o Senhor a quer fecunda. E a alegria do Evangelho é missionária porque “sempre tem a dinâmica do êxodo e do dom, do sair de si, do caminhar e semear sempre de novo, sempre para mais além”. (Cf. Exortação Apostólica Evangelii Gaudium).

Ir.Luciana Vinícius de Souza